Planeta Verde - Vasta pesquisa francesa amplia lista de doenças causadas por agrotóxicos, inclusive em bebês

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A atualização de uma vasta pesquisa, iniciada em 2013 por cientistas franceses, acaba de confirmar e aumentar a lista de doenças que os agrotóxicos têm alta probabilidade de provocar, inclusive em bebês. A exposição frequente aos produtos químicos, utilizados sobretudo na agricultura, pode levar a vários tipos de câncer e Mal de Parkinson, mas também distúrbios cognitivos e doenças respiratórias. O estudo é o resultado da análise de mais de 5,3 mil documentos sobre o tema, elaborados por pesquisadores internacionais e compilados pela equipe do Inserm (Instituto Nacional da Saúde e da Pesquisa Médica), da França. Há oito anos, a presunção de ligação entre os agrotóxicos e a aparição de doenças era considerada "forte" para quatro patologias graves. Agora, são seis: foram adicionados os danos cognitivos em adultos e crianças, branquiopneumopatia e bronquite crônicas. Outro alerta do estudo “Agrotóxicos e Efeitos na Saúde: os novos dados" é que a exposição a herbicidas e fungicidas é danosa desde antes do nascimento, quando a grávida tem contato de forma regular e profissional com os produtos fitossanitários. "Para duas classes de inseticidas bem conhecidos, os organofosforados e os piretroides, a exposição ao primeiro altera as capacidades motoras, sensoriais e cognitivas do bebê, desde a gestação. Já no segundo, percebemos que causa problemas de comportamento, em especial de ansiedade, ou seja, serão crianças mais ansiosas”, explica o pesquisador em toxicidade ambiental Xavier Coumoul, um dos 12 autores do relatório. "Por fim, temos uma terceira patologia extremamente grave, tumores do sistema nervoso central, ligados à uma exposição aos pesticidas sem distinção durante o período pré-natal, ou seja, logo antes do nascimento.” Uso doméstico Coumoul ainda cita uma quarta doença grave que pode atingir as crianças, a leucemia, que pode também ocorrer em meio a um contato com os químicos em ambiente doméstico. O mais comum é no jardim de casa, nos países onde o uso amador das substâncias ainda não foi proibido, como no Brasil. "Não podemos esquecer que usamos pesticidas quando tratamos um gato contra pulgas, por exemplo. Os agrotóxicos não são só usados na agricultura”, destaca o especialista. "São produtos fitossanitários, mas também veterinários, com um uso mais doméstico.” Para moradores das zonas urbanas, os dados do relatório são inconclusivos e o nível de presunção de ligação foi estabelecido como “fraco”. Isso não significa que, nas cidades, existam poucas chances de desenvolver alguma dessas doenças, mas sim que ainda são necessárias pesquisas mais detalhadas para determinar essa relação. O estudo adverte, entretanto, que os moradores a menos de 1,5 quilômetro de plantações podem ter riscos maiores de ter alguma das patologias comprovadamente provocadas por agrotóxicos. A pesquisa identificou danos potenciais dos produtos especificamente nas mulheres, com a possibilidade de que eles provoquem endometriose – uma hipótese que ainda precisa ser melhor aprofundada, advertem os cientistas. A doença causa dores fortes no período menstrual e pode levar à infertilidade. Perigos do glifosato O relatório incluiu, ainda, os dados mais recentes sobre os riscos do glifosato, o herbicida mais usado do mundo, apesar dos questionamentos da comunidade científica sobre a sua segurança sanitária e a possibilidade de que seja cancerígeno. O tema está periodicamente em voga na União Europeia. No ano que vem, o bloco deverá decidir se renova ou não a autorização da sua utilização. A pesquisa do Inserm conclui que a presunção de ligação entre o glifosato e a ocorrência de um tipo de linfoma dos gânglios é de nível “médio”, assim como a hipótese de que ele seja um produto “genotóxico” – ou seja, que afeta o genoma humano. Mas o especialista Xavier Coumoul ressalta que outras pistas também devem ser melhor analisadas. "Se observamos bem o mecanismo de ação deste produto, ele age sobre as plantas, matando as ervas daninhas, mas também os fungos e bactérias – e algumas delas são muito favoráveis à saúde humana, em especial as que estão no nosso intestino”, ressalta. "Eu penso que seria necessário estudar melhor a ação do glifosato nos microbióticos dos organismos intestinais, e talvez até na pele. Além disso, também verificar os microbióticos do solo, para ver se não há uma perturbação em termos de biodiversidade.”

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